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domingo, 3 de julho de 2011

Conto Xamânico

OS LOBOS





Numa noite, um velho índio Cherokee contou ao seu neto sobre a batalha que acontece no interior das pessoas.

Ele disse:

- A batalha acontece entre dois lobos dentro de cada um de nós. Um é o Mal. É raiva, inveja, ciúmes, presunção, tristeza, ódio, ganância, arrogância. autopiedade, ressentimento, inferioridade, mentiras, orgulho, superioridade e ego.
O outro é o Bem. É alegria, paz. Amor, esperança, serenidade, humildade, gentileza, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.

O neto pensou sobre isso por um minuto e então perguntou ao avô:

- E qual é o vencedor?

E o velho Cherokee simplesmente respondeu:

- Aquele que você alimentar...




O índio Cherokee contou esta história ao neto para que o mesmo perceba a diferença entre o bem e o mal, o certo e o errado que vivem em constante luta na nossa mente, pois se o mesmo não tivesse consciencia de tal luta, estaría a viver permanentemente num grande tumulto.
Para impedir que um dia ele veja que tudo aquilo para o qual lutou e achava ser o certo é afinal errado, e que quando vencer na vida não se encontrar, sem se aperceber, fraco, vencido, triste, perdido, confuso e com medo.

-É como se existissem dois grandes lobos vivendo dentro de mim; um é branco e o outro é preto. O lobo branco é bom, gentil e não faz mal a ninguém. Ele vive em harmonia com tudo à sua volta e não se ofende se a intenção não era ofender. O lobo bom, sensato e certo de quem ele é e do que é capaz, briga apenas quando essa é a coisa certa a fazer e quando precisa se proteger ou à sua família, e mesmo então ele faz isso da maneira certa. Ele toma conta de todos os outros lobos da matilha e nunca se desvia da sua natureza.

- Mas existe o lobo preto também, que vive dentro de mim, e esse lobo é bem diferente. Ele é ruidoso, zangado, descontente, ciumento e medroso. Basta uma coisinha para que ele se encha de fúria. Ele briga com todo mundo, o tempo todo, sem nenhuma razão. Ele não consegue pensar com clareza, porque a sua ganância para ter sempre mais e a sua raiva e a sua ira são grandes demais. Mas trata-se de uma raiva infrutífera, filho, porque ela não muda nada. Esse lobo só procura confusão aonde quer que vá, e por isso sempre acaba achando. Ele não confia em ninguém, por isso não tem amigos de verdade.

- Às vezes, é difícil viver com esses dois lobos dentro de mim, pois eles brigam muito para dominar o meu espírito e na altura de tomar decisões, quando apenas um pode vencer, será aquele que for melhor alimentado que vence.
Mas ainda assim o outro lobo volta, pois não é possível alimentar apenas um.

- Ambos vencem. Se eu escolho alimentar só o lobo branco, o preto ficará à espreita, esperando o momento em que eu sair do equilíbrio ou ficar ocupado demais para prestar atenção às minhas responsabilidades, e então atacará o lobo branco e causará muitos problemas para mim e nossa tribo. Ele viverá sempre com raiva e brigará para atrair a atenção pela qual tanto anseia. Mas, se eu prestar um pouquinho de atenção no lobo preto, compreendendo a sua natureza, se reconhecê-lo como a força poderosa que ele é e deixá-lo saber que eu o respeito pelo seu caráter e o usarei para me ajudar se um dia eu ou a tribo estivermos em apuros, ele ficará feliz, e o lobo branco ficará feliz também, e ambos vencerão. Todos venceremos.

Então o neto perguntou:

- Mas como podem os dois vencer?

Então o avô continuou com a explicação:

- Repara, o lobo preto tem muitas qualidades importantes de que eu posso vir a precisar, dependendo das circunstâncias. Ele é feroz, determinado, e não se deixará subjugar nem por um segundo. Ele é inteligente, astuto e capaz dos pensamentos e estratégias mais tortuosos, o que é importante em tempos de guerra. Ele tem os sentidos aguçados e superiores que só aqueles que olham através da escuridão podem apreciar. Em meio a um ataque, ele poderia ser o nosso maior aliado.

O avô tirou da sua bolsa alguns pedaços de carne defumada e colocou-os no chão, um à direita e o outro à esquerda. Ele apontou para a carne e disse;

- À minha esquerda está a comida para o lobo branco e à minha direita está a comida para o lobo preto. Se eu optar por alimentar os dois, eles não brigarão mais pela minha atenção, e eu poderei utilizar cada um deles como precisar. E como não haverá guerra entre eles, poderei ouvir a voz da minha sabedoria profunda e escolher qual dos dois pode me ajudar melhor em cada circunstância. Se a sua avó quer uma carne para fazer uma refeição especial e eu não cuidei disso como deveria, posso pedir para que o lobo branco me empreste a sua magia e consolar o lobo preto da sua avó, que estará zangada e faminta. O lobo branco sempre sabe o que dizer e me ajudará a ser mais sensível às necessidades dela.



- Se compreenderes a existência destas duas grandes forças dentro de ti e respeitares ambas de igual forma, as duas sairão vencedoras e haverá paz.
A paz, meu filho, é a missão dos Cherokee — O propósito supremo da vida.
Um homem que tem paz dentro de si tem tudo. Um homem dividido pela guerra em seu íntimo não tem nada. 
Tu és um jovem que precisa de escolher como vai lidar com as forças opostas que vivem no seu interior. A tua decisão determinará a qualidade do resto da tua vida. E quando um dos lobos precisar de atenção especial, o que acontecerá às vezes, não terás do que te envergonhar; poderás simplesmente admitir isso para os anciãos e conseguirás a ajuda de que precisa.
Quando isso for de conhecimento público, aqueles que já travaram essa mesma batalha podem oferecer-lhe a sua sabedoria.

Imagem


A verdade é que existe dentro de nós uma grande matilha de lobos, o lobo amoroso, o lobo sensível, o lobo forte, o lobo esperto, o lobo criativo, o lobo altruísta, etc... juntamente com o lobo egoísta, o lobo conflituoso (...).


Todos somos gentis e cruéis, frios e quentes, santos e pecadores e todos temos luz e escuridão. 

Existem ainda muitas qualidades e defeitos escondidos dentro de cada um de nós que podem despertar a qualquer momento, podendo muitas vezes tornarmo-nos o nosso próprio inimigo.


FONTE: Internet
PESQUISA, RESUMO e TRADUÇÃO por: Aril Aislin (portadora do Blogue)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O Homem feito de Barro

Todos os direitos reservados ao criador do Blogue ESSÊNCIA DA MAGIA.
A violação dos direitos autoriais é crime. Lei Federal nº 9.619, de 20.04.11




O HOMEM FEITO DE BARRO




Carlota, era uma menina de dezasseis anos que vivia na torre mais alta do castelo, demasiado protegida pelos os pais, rei e rainha, que não a deixavam fazer nada fora da torre. Como era bonita – de leves e louros cabelos, lisos em cima, ondulados a meio e encaracolados nas pontas, até ao rabo, olhos verdes, pele branca e lábios cornudos e dóceis –, tinham medo que fosse estragada pela natureza comum e pelas pessoas. Simão, o seu irmão, era um príncipe rebelde, fazia tudo o que a irmã não podia;
Jogava arco e flecha, caçava, participava em batalhas, bebia, cativava princesas em festas e chegava tarde ao castelo.

O rei tinha declarado que a sua filha só podia ter liberdade e abandonar a torre quando um jovem lhe pedisse a mão em casamento, Carlota invejosa pela excessiva liberdade do seu irmão e ansiosa por estar noiva, começou a sonhar, a desenhar e a descrever o seu príncipe desejado. O tempo foi passando, e só aos seus dezoito anos é que Carlota casou. Entregou-se ao primeiro homem que lhe pedira a mão.
A festa foi extraordinária, o dia mais feliz da sua vida.
No entanto, o seu marido não era perfeito, pelo contrário, era um homem perverso, frio e temperamental…
Como Carlota não podia ter filhos, o seu marido começou a desinteressar-se pela relação e a traí-la com uma rameira qualquer, voltava para casa bêbedo e cansado, chegando mesmo a agredir Carlota.
Mas no reino, se a mulher olhasse para outro homem é acusada de adultério e queimada na fogueira. As pessoas da vila já diziam:

- Porque será que o homem nunca vai a casa? – Perguntou uma aldeã.
- Por causa da mulher! Ouvi dizer que ela era uma mulher horrível e não sabe dar prazer ao marido. – Respondeu-lhe uma velha cheia de pinturas na cara.

Mas Carlota sabia o que diziam dela, e um dia não suportou mais os maus-tratos físicos e psicológicos, e fugiu do reino partindo ao encontro da bruxa Elvira que lhe ofereceu o seu livro de feitiços.


Desde que saíra da torre que não voltou a ler um livro, a cuidar de si e do seu corpo, e a sua pele escureceu, devido ao sol que apanhava ao lavar a roupa no tanque.

Então, Carlota dedicou-se, a tempo inteiro, ao mundo da magia, e um ano depois, voltou para casa para inutilizar o marido, petrificando-o para sempre.  
Mas Carlota não conseguia viver sem um homem, até porque não podia trabalhar, e com medo de arranjar outra desilusão de homem, pegou em barro e criou, ela mesma, o seu homem perfeito, ou seja, uma pessoa igual a ela mas masculina.

     “ Guias da Água, Terra e Ar
     Unam-se agora neste homem
      E façam-no amar

Para o corpo, Leão
Caranguejo para o coração
Touro para a força
Virgem para a fidelidade
E tirem-lhe a maldade       “




 
Wicca, Wiccan Witchcraft Spells & Rituals, Paganism

E do barro, já sólido, surgiu um homem, belo como um príncipe, amoroso e amável como um cachorrinho e puro como um bebé.
Homem esse que, foi feito à maneira dela, não possuía opinião, ideias ou personalidade própria. Aceitava tudo e não discordava de nada.
Carlota e o seu amante voltaram para o castelo, uma vez que consideraram o seu marido como morto, Carlota pôde casar com o seu homem perfeito e desfrutar de dinheiro que o mesmo lhe trazia.
Com ele, pôde comprar os vestidos que sempre sonhara ter e nunca teve, juntamente com as jóias e pêndulos.
Mas o reino entrou em corrupção com Carlota, devido à inveja e começaram a espalhar rumores que mais tarde vieram parar aos ouvidos de Carlota.
Cheia de raiva, Carlota usufruiu ainda mais da magia, para se vingar das pessoas e rapidamente o reino ficou às escuras.

Metade das pessoas foram transformadas em sapos, o sol deixou de brilhar e as plantas murcharam, os cães que protegiam os aldeães foram comidos vivos por corpos, os gatos morreram e sobreviveram apenas os pretos, que não comiam os ratos que aumentaram e trouxeram a peste negra que matou toda a população e o rei, pai de Carlota.

O reino tornou-se sombrio e assustador, onde a única que se sentia era o frio do nevoeiro, e só se ouvia o vento, os corvos e alguns gritos de dor das pessoas prontas a morrer.
Carlota, influenciada pela magia negra, tornou-se triste, má, o seu cabelo ficou preto e fraco, a pele seca e cheia de sinais e borbulhas e os lábios mais finos e claros.
Irritada com o seu aspecto, proibiu todos os espelhos do reino e guardou-os na cave.
Simão, após a morte do pai, foi coroado rei, mas mesmo assim continuava preso às ordens da irmã assim como todo o povo, e quando opinou relembrando-lhe do seu cargo, Carlota prendeu-o nas masmorras, ameaçando-o com a bruxaria.

Então o reino ficou nas mãos da rainha Carlota e seu marido, que sempre elogiava as suas acções, mas no mês seguinte o reino foi invadido, e uma vez que, quase não havia cavaleiros para proteger o castelo, Simão foi morto na masmorra e Carlota foi salva pelo seu marido.

O reino foi governado por um novo rei, o que o invadiu, e Carlota permaneceu escondida com o marido num moinho desabitado.
Um ano mais tarde, Carlota fartou-se do marido, da sua cedência a tudo e do seu ar inocente e ingénuo.

- O que se passa, meu amor? – Perguntou ele.
- És tu! És perfeito demais, perfeito demais! – Respondeu Carlota
- Mas eu fui feito para ti. – Diz docemente o marido
- Nem pareces real, eu sinto que estou a falar comigo mesma! Foste um erro e só agora que passei tempo suficiente ocupada contigo, é que me apercebi disso! – Explicou.
- Foi o melhor ano da minha vida!
- PÁRA! PÁRA DE DIZER O QUE EU QUERO OUVIR! – Gritou Carlota, furiosa.

No meio da discussão, Carlota, para o afastar crava as unhas no coração do marido, acabando por o matar, e ele cai no chão, sem qualquer expressão.
Arrependida do que havia feito, cai a chorar e envolve-se carinhosamente nos braços do corpo já morto.

Tentou ressuscitá-lo, substituí-lo, mas nada resultava nem a satisfazia.
Então Carlota passou anos a pedir perdão a Deus, de todo o mal que tinha feito e voltou a ser puramente bela, mesmo já velha.



Aos quarenta anos, volta ao reino e oferece-se para ser ama. Lá conhece Marco, o guerreiro preferido do actual rei, e apaixona-se pela primeira vez.
Marco pede Carlota em casamento e juntos viveram felizes para sempre, numa mansão dada pelo rei e paga pelas vitórias nas suas batalhas.

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